sexta-feira, 18 de setembro de 2009

"Deixaste-me e seguiste o teu caminho... Eu pensei que ia morrer e depus em meu coração a tua imagem solitária, bordada numa canção de ouro. Mas, ai de mim, que infelicidade: o tempo voa!
Ajuventude vai murchando ano após ano, e os dias da primavera são fugitivos; as flores frescas morrem facilmente, e o sábio me avisa que a vida é apenas como uma gota de orvalho numa folha de lótus... Deveria eu deixar tudo isso de lado e ficar olhando para quem me deu as costas? Seria falta de atenção e tolice, pois o tempo voa.
Vinde, minhas noites chuvosas como rumor de pés molhados; sorri meu outono dourado; vem, descuidado abril, espalhando beijos em todo lugar. Vireis todos? Ah, meus amores, bem sabeis que somos mortais. Vale a pena estraçalhar o próprio coração por alguém que retirou o seu? O tempo voa!
É suave sentar-se num canto a meditar e escrever poemas dizendo que és tudo para mim. É heróico alimentar a própria dor e recusar consolo... Mas um novo rosto espia através da minha porta e levanta os seus olhos até os meus... Vou enxugar as lágrimas e mudar a melodia da minha canção. Sim, porque o tempo voa...

R.Tagore - O Jardineiro

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Mostras

Pepa Prieto divide exposição com Tara McPhersonna Galeria Iguapop em Barcelona até o dia 12 de setembro.

Pela primeira vez em Barcelona, Pepa apresenta uma instalação baseada em pinturas, objetos e serigrafias acumuladas de outras datas, especialmente de suas competições de snowboard.

Sua arte transita por um universo onírico com imagens e situações imaginárias. Seus personagens parecem saídos de contos infantis, onde animais e seres humanos se misturam em formas geométricas, montanhas e paisagens urbanas que muitas vezes lembram a pintura naif. Sua arte se relaciona também com a cultura do skate e do snowboard, esporte que pratica.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Naquele dia pensou-se que o sol despontaria na janela da moça Tibira.Nem mesmo sol quis
afagar seus cabelos sedosos.Era quase impossível atravessar aquela bruma sem se perder na sombra dos sapatos velhos que rondavam o jardim das adálias.Dentro de mim brotavam desejos de toque de recolher.Eu queria voltar para minha casca e ficar tão encolhido quanto um tatu bola enroladinho.

CALMA



Calma...
Se ela me viesse e ficasse,
que bom seria...
Mas ela só fica
tempo suficiente para o poeta
não morrer de anemia.

Vitória seria, ah, seria...
Se ela pousasse sobre mim
suas penas delicadas
e soprasse as minhas
para bem longe
fúúúúúúúúú...

Se ela viesse e ficasse,
quem sabe,
aconteceria o enlace
entre mãos e alma,
olhos e poesia,
tu e eu,
eu e tu
horizontais, feito anjos,
deitados
sobre o poema nu.

Mas ela flutua...


Carmen Regina

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Os segredos da alma



Acordei, cheia de doces na língua.
Com vontade de me agarrar a uma orelha amiga,
Mas quando a tinha os segredos não se quiseram escapar!
Agarraram-se ao coração,
E por mais vontade que a língua tinha
As palavras não eram suficientemente grandes.

Os espasmos da alma foram tão bem concebidos
Que por mais que os queira transmitir,
Contar a toda a gente, correr a gritar a felicidade que sinto,
O segredo é só meu!

Eles guardam-se, acolhem-se no meiozinho do coração.
Enroscam-se por lá…
Lançam-me mensagens
E os meus lábios respondem-lhes em reflexo condicionado.

Quem inventou os sentimentos, codificou-os de uma forma tão perfeita, que só cada um de nós sabe o que significa, só para nós!
Bárbara-Lisboa /Portugal

sábado, 8 de agosto de 2009

CATANDO ESTRELAS



Passei a madrugada,
lua cheia no céu,
vagalumes nos olhos,
cestos de solidão,
recolhendo as estrelas
caídas em teu portão.

Vou entrar agora,
buquê de flores
despetaladas
no colo,
caixinha de estrelas,
jóia,
coração na mão.

Queria ser uma
dessas flores miúdas,
beijinhos
plantados em teu caminho.

Mas meu desejo maior é ser
a rosa rubra
que trazes no peito.


Carmen Regina