domingo, 29 de março de 2009

a mulher e o balanço

A alma da bailarina...dança
balança no abraço da colina qual menina de trança

(para Dança del alma-outono 2009)

sábado, 28 de março de 2009

perfil 28-3

Por que palavras
Um monge aproximou-se de seu mestre - que se encontrava em meditação no pátio do Templo à luz da lua - com uma grande dúvida:

"Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os Sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?"

O velho sábio respondeu: "As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta."

O monge replicou: "Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?"

"Poderia", confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contacto prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio."

"Então," o monge perguntou, "por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?"

"Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário."

O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

(179 Contos Buddhistas pelo Prof. Claudio Miklos)

terça-feira, 24 de março de 2009

tudo de ti me amanhece.
na carnação do verbo amar, tu,
a letra pura.
(...)
e assim a noite se abre ardente dentro dos teus braços
e insistes, avanças no último dos passos dessa dança
onde só náufrago o amor se cansa
Eugenia vasconcellos

domingo, 22 de março de 2009

Quando as fadas alçam vôo
a luz difusa
faz curvas entre as cinzas
a brisa roça
embalando os verdes
fazendo emergir os olores
dupla penetração
pelas narinas.
O encantamento
concretiza os rituais
esvaindo
opensamento
...
Tempo zero...
a floresta silencia

quarta-feira, 11 de março de 2009

Cada um...

"- Cada um dá o que tem. O guerreiro dá a sua força; o comerciante, a sua mercadoria; o mestre, a sua doutrina; o pescador, os peixes.

- Ótimo. E qual será o bem que tu poderás oferecer? Que aprendeste? Que sabes fazer?"

Hermann Hesse

Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ*Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ*Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ*Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ

*Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ

Por que palavras

Um monge aproximou-se de seu mestre - que se encontrava em meditação no pátio do Templo à luz da lua - com uma grande dúvida:

"Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os Sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?"

O velho sábio respondeu: "As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta."

O monge replicou: "Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?"

"Poderia", confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contacto prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio."

"Então," o monge perguntou, "por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?"

"Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário."

O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

(179 Contos Buddhistas pelo Prof. Claudio Miklos)