domingo, 10 de fevereiro de 2013

Sou raio que atravessa a distância enquanto os pensamentos me segredam pedaços de vida. Quando voltares a pegar nas minhas mãos larga-as ou prende-as. Só que eu nunca ficarei. Tenho campos de sonhos para correr aos ventos e sorrir às estrelas.

Os meus pensamentos são a minha força e o meu segredo. São o aroma da minha vida. Envolvem-me como mantos de arminho ou tule flutuante quando -desprendida- tenho a força da seta disparada e venço a corrida quando, perto do alvo, a agarro na mão firme. Sem vacilar. Não há nem limites, nem desafios impossíveis nas correrias livres, bravias,  pelos campos dos meus sonhos e pensamentos, lado a lado, em infindável e empolgantes viagens de magia e liberdade.

Imagem:Anka
Os meus pensamentos são cavalos selvagens livres nos campos de sonhos que não encanto. Não sou uma encantadora de sonhos sou, apenas, livre.
[Maria Elvira Bento]
Imagem:Alex
Stevenson

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Dissecações a cerca de um poeta tuaregue,velho e feio





Sobre o velho :

O velho escorre pela alameda querendo ver gente causadora de embaraços



A energia sedenta de um guarda-sol se espraia

E mira na praia seca de amor, um pássaro rebolante



O que há de procurar esse despatriado vento?

Olhares incógnitos

Fissuras de um sorriso disfarçado

Ou canções perdidas no trigal



O vento vem solapando as treliças dos cabelos

Da moça de olhar curvado



O tempo desata os poros empoeirado do moinho

Amarela a folha do poema



Sobre o velho:

Perguntei a pitonisa

Ela me disse:

Não existe.  
*Imagem by Andre Tsoy

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Vem

Te faço um café ou cafuné se tu quiser
*imagem Anne Julie Aubry

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Retrato Quase Apagado em que se Pode Ver Perfeitamente Nada

Chove torto no vão das árvores.


Chove nos pássaros e nas pedras.

O rio ficou de pé e me olha pelos vidros.

Alcanço com as mãos o cheiro dos telhados.

Crianças fugindo das águas

Se esconderam na casa.

(Manoel de Barros)
*imagem: Arunas Zylis

Os condenados

Sentia-se só no seu naufrágio.Sentara-se.Depois ergueu-se com um grito apenas sufocado.Andou.Repetiu com os punhos amarrados versos de Baudelaire.


Sentiu que qualquer coisa ria horrivelmente de si,da sua situação de telegrafista,do seu crédulo romance,dos seus grossos músculos inúteis.(Excerto de Os condenados,Oswald de Andrade,pg 42)