terça-feira, 6 de abril de 2010

domingo, 4 de abril de 2010

FILMES DE ARTE QUE RECOMENDO

  • Aleijadinho
  • Basquiat ( 1996 )
  • Camille Claudel
  • Caravaggio - Derek Jarman
  • Carrington
  • Downtown 81 - Edo Bertoglio
  • Frida
  • Goya - ( 1999) - Carlos Saura
  • Goya - Konrad Wolf
  • Mistérios de Picasso
  • Modigliani Paixão Pela Vida - ( 2004 )
  • Moça com brinco de pérola
  • Pollock
  • Rembrandt - Alexander Korda
  • Rumo ao Paraíso
  • Savador Dali
  • Sede de Viver - ( 1956 )
  • Sombras de Goya
  • Vincent &Theo ( 1990 ) - Rober Altman

quinta-feira, 25 de março de 2010

Há uma fera escondida na escuridão da consciência
Alimenta-se de vísceras desgarradas da loucura escondida
Cuida do imanente fogo que incendeia esperanças e sonhos
Na espreita, ela prepara o salto onde a caça é a dúvida e a fé

Há um bosque na extensão dos seres onde florescem rios
Uma incomensurável geografia de desejos extraídos das cores
Há uma trilha que leva ate o mais profundo das saudades
Um matinal arco-íris renasce cada vez que as tormentas passam

Nesta paisagem de luz e sombras temos a opção vital de transcender
A fera também se mostra mansa quando alimentamo-la com o desespero
O bosque seca se não o regamos com a sabedoria das águas e as ventanias
Só uma inquebrantável entrega de vida fará que a ternura seja a bússola do nosso destino...

Flavio Pettinichi- 24- 03- 2010

domingo, 21 de março de 2010

Beco com saídas






Falar sobre dores da alma é falar sobre um tipo de dor muito mais atroz do que as dores físicas, até porque as dores da alma influenciam diretamente na intensidade com que sentimos as dores no nosso corpo. Essas dores podem ser muito bem traduzidas por uma noite escura, ou um grande vazio, como se tivéssemos nos deparando com um abismo infinito, do qual nos parece nunca mais sairemos para encontrar o caminho de volta para a luz. É como se a vida, ou o destino, tivesse levado para longe de nós o nosso sonho de felicidade.Essa experiência aversiva,deixa-nos sem forças para trazer de volta o que nos fazia sentir prazer.Não fazemos a mais remota idéia da descrição do que sentimos.Sentimos dor. Estamos encerrados em nós mesmos,somos o BECO,isso é fato.A DOR é o BECO,mas pode ser a possibilidade,a saída,que tira o homem da banalidade do mal e o devolve à ação transformadora de si mesmo e do mundo à sua volta.Essa descoberta o lança de volta ao desejo pelo mundo,em vez de paralisá-lo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010


Pelo menos a infelicidade não é já ativa e imperativa. Pelo menos os gestos cotidianos saem já com a graça líquida de todos os costumes automáticos. Nos dias cinzentos o frio entra pela pele desprotegida e branca que não se expõe e num lugar qualquer do mundo há outras coisas quaisquer. Pelo menos somos vizinhos da felicidade e por entre as paredes ouvimos-lhe os murmúrios, ou melhor, os rumores: ao fim da noite há sempre olhos rodeados de linhas como se estalássemos a caminho de uma quebra qualquer. Noutros lugares do mundo, tenho certeza, haverá recomeços e risos, a serenidade líquida da leiteira de Vermeer, por todos os inúteis séculos de esperas, tristezas e desapontamentos haverá sempre o amarelo -limão da luz capturado para sempre como numa teia brilhante de mentiras. Mas pelo menos não é já a infelicidade imperativa: empilhamos os segundos, como caixas, até enchermos o minuto até ao seu limite, recomeçamos outra vez. Sísifo mostra-nos, arrastamo-nos até ao limite e o abismo e depois recomeçamos outra vez até ao fim da hora.
Passionária