segunda-feira, 27 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
para os ficantes
O texto é do Rogério Niffinegger, professor titular do departamento de Psicologia da UFMG.
Caro ficante,
Dirijo-me, agora, a você que tem "ficado", só "ficado".
Porque "ficar" e, não, ficar?
Tecnicamente, você sabe, "ficar" não é ficar, é um estar temporário, sem compromissos e aspirações.
Assim, você também sabe, é da essência do "ficar" não ficar.
O "ficante" típico faz a "ronda", vai de bar em bar, de danceteria em danceteria e vai "ficando", "ficando"... sem ficar, passando...
Ás vezes este "ficar" significa, apenas, conversar com alguém. Ás vezes, dançar, preferencialmente não ser tocado, só tocar. O "ficante" pode até ser tocado, mas não pode ser tocado: Tão perto.. e tão longe!"
Outras vezes o "ficar" é mais complicado e envolve sexo, sem envolvimento, é claro. O momento, talvez, de maior intimidade e toque entre duas pessoas deve ser esquecido, não-tocado, a não ser que ela "fique", não é? Mas isto é uma outra história, uma outra vida, talvez.
Porque, não ficar? Ficar exige comunicação, reciprocidade, envolvimento. Como você sabe, é impossível não comunicar, mesmo não comunicando...
Assim, você, caro "ficante", não pode ficar: restará uma lembrança (geralmente para sempre), um perfume, uma palavra, um desejo, um toque.. nem que seja para se lembrar de um sorriso, de um olhar... sem palavras... com tantas palavras a se dizer...
Desta forma, para evitar estas dificuldades e... perigos, é que recomendo a você, caro "ficante", a não se envolver... não sentir... não tocar... não ser tocado...
Seja leal ao seu interdito interno e evite, a todo custo... ficar... porque, justamente, pode... ser bom... entendeu?
Assim, resumindo o anterior, gostaria de lembrar a você: "Quem só fica não fica, passa..."
Não sei, talvez... se você permitir... se sua mente consciente permitir, talvez... você sonhe...
Observe os seus sonhos, sinta os sonhos que estão dentro dos seus sonhos...
Lembre-se: a vida é breve.
Tanto tanto
mas por enquanto
tão pouco
tão puro -
ar do peito sem embrulho.
Tanto tanto
tempo demais no quando
de menos
tanto tempo de menos
ainda mais e mais.
Tanto tanto
lenta agonia em tom de espanto -
pedra voada no vento
que de pesada
levanta levanta.
Tanto tempo
tão pó
deitado no canto
de quem só
delira inverso... "
Gustavo Dias de Miranda
mas por enquanto
tão pouco
tão puro -
ar do peito sem embrulho.
Tanto tanto
tempo demais no quando
de menos
tanto tempo de menos
ainda mais e mais.
Tanto tanto
lenta agonia em tom de espanto -
pedra voada no vento
que de pesada
levanta levanta.
Tanto tempo
tão pó
deitado no canto
de quem só
delira inverso... "
Gustavo Dias de Miranda
Uma lágrima rolou do meu olho ao perceber
Que era a última vez em que eu ia ver você
Outra lágrima rolou dentro do meu coração
Ao ver a velocidade com que as vidas vão em vão
Quando eu menos esperei, nada mais eu encontrei
Havia desaparecido a lágrima que eu chorei
Mas aquela que escorreu, no meu peito lá ficou
A gota de gosto amargo, com o frio cristalizou
E eu quero saber como proceder
Pra esquecer da tua voz, do teu viver
Porque eu apenas quero caminhar
Sem ter que olhar pra trás
E ver você vivendo em paz
E você sabe que eu já sofri demais aqui
E não vejo a hora de poder ficar junto de ti
E onde você estiver, estarei em coração
Em alma e espírito, através dessa canção
Enquanto a sua ida puder fazer alguém chorar
É sinal que a sua vida ainda não deve acabar
Já que não há saída, eu posso apenas imaginar
Como seria a minha vida sem a sua pra me alegrar
Que era a última vez em que eu ia ver você
Outra lágrima rolou dentro do meu coração
Ao ver a velocidade com que as vidas vão em vão
Quando eu menos esperei, nada mais eu encontrei
Havia desaparecido a lágrima que eu chorei
Mas aquela que escorreu, no meu peito lá ficou
A gota de gosto amargo, com o frio cristalizou
E eu quero saber como proceder
Pra esquecer da tua voz, do teu viver
Porque eu apenas quero caminhar
Sem ter que olhar pra trás
E ver você vivendo em paz
E você sabe que eu já sofri demais aqui
E não vejo a hora de poder ficar junto de ti
E onde você estiver, estarei em coração
Em alma e espírito, através dessa canção
Enquanto a sua ida puder fazer alguém chorar
É sinal que a sua vida ainda não deve acabar
Já que não há saída, eu posso apenas imaginar
Como seria a minha vida sem a sua pra me alegrar
(Fresno)
mudança

Na vida tudo passa, não importa o que tu faça o que te fazia rir, hoje não tem mais graça.
Tudo muda, tudo troca de lugar, o filme é o mesmo, só o elenco que tem que mudar
Que alterar pra poder encaixar, se não for pra ser feliz, é melhor largar..
Então se ligue, e busque felicidade... Pra existir história... Tem que existir verdade
Porque o sol não se tampa com uma peneira, pra quem já ta molhado um pingo é besteira
Renovo minha força vendo o sol se pôr, pensamento longe renovo meu amor. E cada chaga que a gente traz na alma, é a confirmação de que a ferida sara e se restaura, já foi cicatrizada...
segunda-feira, 20 de abril de 2009
perfil 20 de abril
Todos os anos são meus," diz a alma humana, "não existe época proibida aos grandes espíritos; não há idade inalcançável ao pensamento. Quando surgir o dia em que se dividirá o que é humano e divino, este corpo ficará ali mesmo onde foi encontrado e me reunirei aos deuses. Mesmo agora não estou longe deles; apenas ainda sou detida pela existência terrestre."
Tais esperas da vida mortal são apenas um prelúdio para uma outra existência, melhor e mais durável. Da mesma forma como durante nove meses somos abrigados e preparados pelo ventre materno não para si, mas para onde deve nos lançar quando já somos capazes de respirar e viver ao ar livre, assim, durante esse período que vai da infância à velhice, amadurecemos para um outro nascimento.
Um outro nascimento nos aguarda, uma outra ordem das coisas. Ainda não podemos suportar o céu senão de longe, por isso prevê com coragem a hora decisiva não para a alma, mas para o corpo. A tudo que te rodeia, olha como móveis em um quarto de hospedaria, pois estás de passagem. A natureza despoja tanto quem entra quanto quem sai.
Não te é permitido levar mais do que tens, e até o que trouxeste para a vida ao nascer aqui deverá ser deixado. Perderás a pele, o mais superficial de teus envoltórios; perderás os ossos e os nervos, aquilo que sustenta as partes informes e flácidas de teu corpo.(...) Por que te apegas tanto a estas coisas como se tuas fossem? Apenas estás coberto por elas. Dia virá em que elas serão tiradas e, então, estarás liberto desse ventre repugnante e infecto."
SÊNECA. Aprendento a viver. Porto Alegre, L&PM, 2009, pp. 119-121.
Tais esperas da vida mortal são apenas um prelúdio para uma outra existência, melhor e mais durável. Da mesma forma como durante nove meses somos abrigados e preparados pelo ventre materno não para si, mas para onde deve nos lançar quando já somos capazes de respirar e viver ao ar livre, assim, durante esse período que vai da infância à velhice, amadurecemos para um outro nascimento.
Um outro nascimento nos aguarda, uma outra ordem das coisas. Ainda não podemos suportar o céu senão de longe, por isso prevê com coragem a hora decisiva não para a alma, mas para o corpo. A tudo que te rodeia, olha como móveis em um quarto de hospedaria, pois estás de passagem. A natureza despoja tanto quem entra quanto quem sai.
Não te é permitido levar mais do que tens, e até o que trouxeste para a vida ao nascer aqui deverá ser deixado. Perderás a pele, o mais superficial de teus envoltórios; perderás os ossos e os nervos, aquilo que sustenta as partes informes e flácidas de teu corpo.(...) Por que te apegas tanto a estas coisas como se tuas fossem? Apenas estás coberto por elas. Dia virá em que elas serão tiradas e, então, estarás liberto desse ventre repugnante e infecto."
SÊNECA. Aprendento a viver. Porto Alegre, L&PM, 2009, pp. 119-121.
pois é...
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
(Carlos Drummond de Andrade)
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
(Carlos Drummond de Andrade)
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