domingo, 26 de abril de 2009

Uma lágrima rolou do meu olho ao perceber
Que era a última vez em que eu ia ver você
Outra lágrima rolou dentro do meu coração
Ao ver a velocidade com que as vidas vão em vão
Quando eu menos esperei, nada mais eu encontrei
Havia desaparecido a lágrima que eu chorei
Mas aquela que escorreu, no meu peito lá ficou
A gota de gosto amargo, com o frio cristalizou
E eu quero saber como proceder
Pra esquecer da tua voz, do teu viver
Porque eu apenas quero caminhar
Sem ter que olhar pra trás
E ver você vivendo em paz
E você sabe que eu já sofri demais aqui
E não vejo a hora de poder ficar junto de ti
E onde você estiver, estarei em coração
Em alma e espírito, através dessa canção
Enquanto a sua ida puder fazer alguém chorar
É sinal que a sua vida ainda não deve acabar
Já que não há saída, eu posso apenas imaginar
Como seria a minha vida sem a sua pra me alegrar

(Fresno)

mudança


Na vida tudo passa, não importa o que tu faça o que te fazia rir, hoje não tem mais graça.
Tudo muda, tudo troca de lugar, o filme é o mesmo, só o elenco que tem que mudar
Que alterar pra poder encaixar, se não for pra ser feliz, é melhor largar..
Então se ligue, e busque felicidade... Pra existir história... Tem que existir verdade
Porque o sol não se tampa com uma peneira, pra quem já ta molhado um pingo é besteira
Renovo minha força vendo o sol se pôr, pensamento longe renovo meu amor. E cada chaga que a gente traz na alma, é a confirmação de que a ferida sara e se restaura, já foi cicatrizada...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

perfil 20 de abril

Todos os anos são meus," diz a alma humana, "não existe época proibida aos grandes espíritos; não há idade inalcançável ao pensamento. Quando surgir o dia em que se dividirá o que é humano e divino, este corpo ficará ali mesmo onde foi encontrado e me reunirei aos deuses. Mesmo agora não estou longe deles; apenas ainda sou detida pela existência terrestre."

Tais esperas da vida mortal são apenas um prelúdio para uma outra existência, melhor e mais durável. Da mesma forma como durante nove meses somos abrigados e preparados pelo ventre materno não para si, mas para onde deve nos lançar quando já somos capazes de respirar e viver ao ar livre, assim, durante esse período que vai da infância à velhice, amadurecemos para um outro nascimento.

Um outro nascimento nos aguarda, uma outra ordem das coisas. Ainda não podemos suportar o céu senão de longe, por isso prevê com coragem a hora decisiva não para a alma, mas para o corpo. A tudo que te rodeia, olha como móveis em um quarto de hospedaria, pois estás de passagem. A natureza despoja tanto quem entra quanto quem sai.

Não te é permitido levar mais do que tens, e até o que trouxeste para a vida ao nascer aqui deverá ser deixado. Perderás a pele, o mais superficial de teus envoltórios; perderás os ossos e os nervos, aquilo que sustenta as partes informes e flácidas de teu corpo.(...) Por que te apegas tanto a estas coisas como se tuas fossem? Apenas estás coberto por elas. Dia virá em que elas serão tiradas e, então, estarás liberto desse ventre repugnante e infecto."

SÊNECA. Aprendento a viver. Porto Alegre, L&PM, 2009, pp. 119-121.

pois é...

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

wonderfuls













caçador de mim

Por tanto amor
Por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz
Manso ou feroz
Eu caçador de mim
Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar
Longe do meu lugar
Eu, caçador de mim
Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito a força, numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim

Sinto sede,sinto fome de você!
Sinto sede do seu sorriso que encanta a minha alma,
fome da sua voz que instiga os meus sentidos,
excita a minha imaginaçãoe me deixa enlevada de tesão!
Sinto sede e fome da sua boca ávida,fico a imaginar...seriam os seus beijos uma dádiva?
Sinto sede e fome de você!
sede da sua alma,fome do seu corpo...dos seus abraços,do seu cheiro!
Venha amor!sem receios...
sem pudor matar a minha sede,saciar a minha fome,entregar-se a esta paixão
sem medo de viver,deixando apenas a vida acontecer!!